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Ivoti: ataques a cães voltam a acontecer em rua onde cerca de 15 animais morreram

15/10/2020 - 15h51min

Suspeita-se que o veneno atirado contra a casa de Rosângela seja um lesmicida (Créditos: Felipe Faleiro)

Ivoti – A esteticista animal Rosângela Paiva Pederiva, moradora da Rua Aloisio Finkler, no bairro Cidade Nova, está preocupada. Na madrugada da última quinta-feira, 15, ela e a filha Brenda Vitória ouviram estouros na porta da frente de sua casa. Aquilo que ambas mais temiam aconteceu: salsichões contendo uma substância azul no interior haviam sido atirados contra a residência.

Mais uma vez, a casa dela está sendo vítima de atentados, o que já havia acontecido em pelo menos duas outras oportunidades. Na virada deste ano, dois cachorros da família morreram, vítimas do envenenamento pela substância. Na época, a família registrou boletim de ocorrência. Depois do luto, elas adotaram dois novos cães, que agora têm um ano de idade cada e também estão em risco.

No começo de 2020, houve uma série de ataques a cães e gatos, e os moradores estimam que 15 animais morreram. A Polícia Civil esteve na rua, coletou provas e abriu uma investigação. Rosângela também reforçou a segurança: instalou câmeras de monitoramento, fez um portão novo e não deixou mais os cachorros irem para a frente da casa.

“Estamos muito traumatizadas. Minha filha tem problemas de depressão, então adotamos os cães para que ela pudesse se apegar a eles”, conta uma angustiada Rosângela. Hoje pela manhã, havia sinais da substância na porta, na rua em frente e na calçada. Em outras oportunidades, vizinhos também foram afetados, mas desta vez, apenas a residência da esteticista foi atacada.

Em 2018, ela e a filha conseguiram salvar os animais por pouco. “O veneno foi fraco”, conta a moradora, relatando que não sabe o motivo pelo qual os cães estão sendo vitimados. Um deles é um pouco mais arisco com visitas, mas os cachorros são geralmente dóceis. “Eles não latem mais do que outros da vizinhança”, diz Brenda, também apreensiva.

Especialistas avaliam riscos do veneno administrado

O Diário procurou especialistas para avaliar os riscos desta substância. Tanto o coordenador do curso de Medicina Veterinária, Fernando Spilki, quanto a professora do mesmo curso, Paula Rodrigues de Almeida, acreditam que ela é um lesmicida, veneno utilizado para matar lesmas, em função de sua cor e textura.

“Normalmente, a intoxicação tem manifestações neurológicas, com tremores, ansiedade, incoordenação motora, hipersalivação, e os animais podem ter diarreia, taquicardia e dificuldade respiratória. Sem atendimento, ele pode ir a óbito”, afirma Spilki. Os moradores dizem que os animais começam a sentir os efeitos cerca de duas horas depois de o veneno ser ingerido.

“Este prazo fecha com o período para aparecimento dos sintomas causados pelo metaldeído, substância utilizada contra moluscos, e também outros compostos. É importante que seja investigado. o uso de iscas é uma estratégia comum utilizada por pessoas mal-intencionadas com animais”, comenta ela.

Como estão as investigações do caso

A Delegacia de Ivoti afirma que segue com as investigações, e reforçou a importância de denunciar casos semelhantes, bem como os locais que vendam este tipo de veneno. No final de setembro, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei que engrossa a punição para maus-tratos. Agora, quem for pego maltratando animais pode pegar de dois a cinco anos de cadeia.

Além disso, também é estabelecida multa e proibição de guarda. Para o advogado de Ivoti, Vicente Fleck, a nova lei já está valendo para o suspeito deste ataque. “A pena prevista para o crime é o da data do cometimento. Assim, quem cometer o crime de maus-tratos após a publicação da lei já sofre as penas dela”, afirma Fleck.

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